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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Portugueses descobrem principal causa da doença de Parkinson


Uma equipa de investigadores de Coimbra descobriu que a principal causa da doença de Parkinson será a disfunção da mitocôndria, responsável pela produção de energia nas células, "contrariando algumas das últimas teses científicas" sobre a patologia.
A Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, lentamente progressiva e que se manifesta através de rigidez muscular, tremores, diminuição da mobilidade e instabilidade postural.

Afetará "mais de quatro milhões de pessoas em todo o mundo" e "em mais de 90% dos casos" é de origem desconhecida, disse à Lusa Sandra Morais Cardoso, líder do grupo de investigadores, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (UC).

O estudo, publicado na revista "Human Molecular Genetics", vem demonstrar que "a deficiência no tráfego intracelular (autoestradas celulares) é provocada pela disfunção das mitocôndrias dos doentes", que são responsáveis pela produção de energia nas células, refere uma nota divulgada pela UC.

Sandra Morais Cardoso explica que "a disfunção mitocondrial é o evento que está na base da deficiente autofagia, o mecanismo através do qual ocorre a degradação de organelas disfuncionais e de proteínas danificadas", que permite eliminar o lixo biológico que se acumula ao longo do envelhecimento e que se não for expulso leva à morte das células.

A investigação, que tem como primeira autora a aluna de doutoramento Daniela Moniz Arduíno, vem também demonstrar que a ativação de uma autofagia deficiente, por si só, "é pior para o envelhecimento das células", prejudicando ainda mais o paciente.

"Até agora, julgava-se que a ativação da autofagia era boa para as células, mas verifica-se que isso não basta nos doentes de Parkinson, há também que promover as autoestradas celulares", sustenta Sandra Morais Cardoso.

A descoberta, "infelizmente, não se traduz numa cura da doença a curto prazo", mas "fornece novas pistas importantes para o desenvolvimento de futuros fármacos que previnam a interrupção do tráfego e, deste modo, assegurem o normal transporte intracelular", no entender da investigadora.

O desafio agora, disse, é perceber "como a função da mitocôndria leva à destabilização das autoestradas celulares".

A investigação foi realizada com base em células de doentes com Parkinson e desenvolvida ao longo dos últimos quatro anos, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

OS SIGNIFICADOS DA NEUROPSICOLOGIA


(Universidade de Coimbra/Associação dos Psicólogos Portugueses, APPORT)
CONFERÊNCIA APRESENTADA AO I CONGRESSO PORTUGUÊS DE NEUROPSICOLOGIA
IPAF


Gostaria de, em primeiro lugar, saudar todos os presentes, e desejar-vos um frutuoso trabalho e são convívio.
Gostaria, igualmente, de agradecer à Organização do I Congresso Português de Neuropsicologia o honroso convite que me foi endereçado, e dizer-vos que a minha presença, hoje e aqui, está repleta de significados – na minha posição de Presidente da Direcção Nacional da Associação dos Psicólogos Portugueses, APPORT, de académico, de psicólogo, e mesmo, de cidadão. Destes significados mais institucionais, mas também, dos significados científicos e técnicos, que eu, como mero aprendiz desta nova disciplina, me atreverei a falar, espero que surjam novos estímulos e alento para que cada vez mais os organizadores desta louvável iniciativa, e todos os presentes, se arrojem em novos passos para a necessária caminhada das ciências sociais, do desenvolvimento, da educação e da saúde.
Como Presidente da APPORT, congratulo-me que um digno membro de uma das mais novas divisões – a de Neuropsicologia e Neuropsicofisiologia -, e refiro-me honrosamente, e agradecidamente, ao Dr. Quintino Aires, tenha metido ombros a uma sempre complexa e árdua tarefa de organização de um congresso. Um jovem psicólogo, e uma jovem equipa, dão a este congresso um significado especial – se poderíamos esperar que uma disciplina complexa e inovadora como a Neuropsicologia se ficasse pelos primeiros passos titubeantes, e amedrontada pelas conotações e interesses médicos e outros, eis que pelo contrário, se afirma com coragem.
A Divisão de Neuropsicologia tem-se afirmado como exemplo para as outras divisões da APPORT, talvez demasiadamente instaladas, e eis que da iniciativa dos seus mais diversos membros surgem, a título de apenas exemplos, um curso de Neuropsicologia Clínica no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, um projectado I Simpósio de Neuropsicologia no Hospital Pedro Hispano em Matosinhos, e aqui e agora, este I Congresso Português de Neuropsicologia. Fica, assim, vincado este primeiro significado – o da coragem!